Autoestima: São os pensamentos que determinam o valor que acreditamos possuir.

Autoestima: São os pensamentos que determinam o valor que acreditamos possuir.

A autoestima é o apreço ou valorização que uma pessoa confere a si própria, permitindo-lhe ter confiança nos próprios atos e pensamentos. Sua construção acontece ainda na infância e está relacionada com nosso desenvolvimento e história de vida. A maneira como vemos a nós mesmos e os outros reflete como se deu a construção da nossa imagem pessoal e é através desta imagem que veremos e agiremos no mundo.

O sentimento que temos em relação a nós mesmos pode ser positivo ou negativo dependendo de como está nossa autoestima, ou seja, podemos nos sentir bem conosco ou ter emoções negativas com relação à nossa pessoa. Segundo a terapia cognitiva, essas emoções são consequência oriundas dos nossos pensamentos, que refletem a percepção que temos sobre as coisas.

A autoestima é formada através de ideias que se enraízam em nossa mente e são incorporadas como verdades absolutas, o que chamamos em terapia cognitiva de “crenças centrais ou nucleares”. Essas crenças são construídas no decorrer do nosso desenvolvimento, quanto mais positivas forem às crenças em relação a nós mesmos, mais teremos uma autoestima fortalecida, do contrário, se uma pessoa desenvolve crenças nucleares negativas, apresentará um autoconceito negativo e uma autoestima rebaixada.

Ter confiança em si mesmo, sentir-se capaz de enfrentar os desafios da vida, saber expressar de forma adequada para si e para os outros as próprias necessidades e desejos, ter amor próprio, demonstra como é a autoestima de uma pessoa. O indivíduo com um bom conceito de si encara a vida de frente, com confiança para lutar e atingir seus objetivos, superando os obstáculos e mantendo uma atitude positiva mesmo que algo dá errado e tenha que mudar ou melhorar.

Apesar de ser formada ainda na infância, quando rebaixada ou negativa, a autoestima pode ser tratada e recuperada em qualquer fase da vida, pois ela gera vários problemas como ansiedade, medo, depressão, fobias, etc., influenciando negativamente nas diversas áreas da vida. A insegurança, necessidade de aprovação, sentimento de inferioridade, excesso de autocrítica, intolerância à frustração, insatisfação crônica e dificuldade em impor limites são alguns sinais da autoestima rebaixada.

Desenvolver a autoestima é expandir nossa capacidade de ser feliz. Se entendermos isso, poderemos compreender o fato de que para todos é vantajoso cultivar a autoestima. Não é necessário que nos odiemos antes de aprender a nos amar mais; não é preciso nos sentirmos inferiores para que queiramos nos sentir mais confiantes. Não temos de nos sentir miseráveis para querer expandir nossa capacidade de alegria.

Quanto maior a nossa autoestima, mais bem equipados estaremos para lidar com as adversidades da vida; quanto mais flexíveis formos, mais resistiremos à pressão de sucumbir ao desespero ou à derrota. Quanto maior a nossa autoestima, maior a probabilidade de sermos criativos em nosso trabalho, ou seja, maior a probabilidade de obtermos sucesso e autoconfiança.

Quanto maior a nossa autoestima, mais ambiciosos tenderemos a ser, não necessariamente na carreira ou em assuntos financeiros, mas em termos das experiências que esperamos vivenciar de maneira emocional, criativa ou espiritual.

Quanto maior a nossa autoestima, maiores serão as nossas possibilidades de manter relações saudáveis, em vez de destrutivas, pois, assim como o amor atrai o amor, a saúde atrai a saúde, e a vitalidade e a comunicabilidade atraem mais do que o vazio e o oportunismo.

Quanto maior a nossa autoestima, mais inclinados estaremos a tratar os outros com respeito, benevolência e boa vontade, pois não os vemos como ameaça, não nos sentimos como “estranhos e amedrontados num mundo que nós jamais criamos” (citando um poema de A. E. Housman), uma vez que o autorrespeito é o fundamento do respeito pelos outros.

Quanto maior a nossa autoestima, mais alegria teremos pelo simples fato de ser, de despertar pela manhã, de viver dentro dos nossos próprios corpos. São essas as recompensas que a nossa autoconfiança e o nosso autorrespeito nos oferecem.

A autoestima é uma experiência íntima; ela reside na nossa mente, é o que penso e sinto sobre mim mesmo, não o que o outro pensa e sente sobre mim.

Estamos longe de ser meros receptáculos da visão que as outras pessoas têm sobre nós. E de qualquer forma, seja qual tenha sido nossa educação, quando adultos o assunto está em nossas próprias mãos. Ninguém pode respirar por nós, ninguém pode pensar por nós, ninguém pode nos dar autoconfiança e amor-próprio.

Posso ser amado por minha família, por meu companheiro ou companheira e por meus amigos e, mesmo assim, não amar a mim mesmo. Posso ser admirado por meus colegas de trabalho e mesmo assim ver-me como um inútil. Posso me comportar mostrando uma imagem de segurança e uma postura que iludem virtualmente a todos e ainda assim tremer secretamente ao sentir minha inadequação.

Posso preencher todas as expectativas dos outros e, no entanto, falhar em relação às minhas; posso conquistar todas as honras e apesar disso sentir que não cheguei a nada; posso ser adorado por milhões e despertar todas as manhãs com uma nauseante sensação de fraude e vazio. Chegar ao “sucesso” sem conquistar uma autoestima elevada é ser condenado a sentir-se um impostor que aguarda intranquilo ser desmascarado.

Assim como a aclamação dos outros não cria a nossa autoestima, também não o fazem os conhecimentos, a competência, as posses materiais, o casamento, a paternidade, a dedicação à caridade, as conquistas sexuais ou as cirurgias plásticas. Essas coisas podem às vezes fazer com que nos sintamos melhor sobre nós mesmos temporariamente, ou mais confortáveis em situações particulares, mas conforto não é autoestima.

A tragédia é que existem muitas pessoas que procuram a autoconfiança e a autoestima em todos os lugares, mas não conseguem entender está tudo estão dentro de si, ligado aos próprios pensamentos, e, assim, fracassam em sua busca.

Quando começamos a entender a autoestima dessa forma, como uma condição da consciência, entenderemos quanta tolice há em acreditar que, se pudermos causar uma boa impressão nos outros, teremos uma autoavaliação positiva. Pararemos de dizer a nós mesmos: “Se pelo menos eu tivesse mais uma promoção; se pelo menos me tornasse esposa e mãe; se pelo menos fosse reconhecido como um bom provedor; se pelo menos pudesse comprar um carro maior; se pelo menos pudesse escrever mais um livro, comprar mais uma empresa, ter mais um namorado(a), mais uma recompensa, mais um reconhecimento de minha generosidade – então, realmente me sentiria em paz comigo mesmo…”. Perceberíamos então que a busca é irracional, que o anseio será sempre “por mais um”.

Se ter autoestima é julgar que somos adequado à vida, à experiência da competência e do valor, se autoestima é a autoafirmação dos pensamentos, de uma mente que confia em si, então ninguém pode gerar essa experiência a não ser nós mesmos.

Quando avaliamos a verdadeira natureza da autoestima, vemos que ela não é competitiva ou comparativa.

A verdadeira autoestima não se expressa pela autoglorificação à custa dos outros, ou pelo ideal de se tornar superior aos outros, ou de diminuir os outros para se elevar. A arrogância e a superestima de nossas capacidades são atitudes que refletem uma autoestima inadequada, e não, como imaginam alguns, excesso de autoestima.

Uma das características mais significativas da autoestima saudável é que ela é o estado da pessoa, que não está em guerra consigo mesma ou com os outros. A importância da autoestima saudável está no fato de que ela é o fundamento da nossa capacidade de reagir ativa e positivamente às oportunidades da vida – no trabalho, no amor e no lazer. A autoestima saudável é também o fundamento da serenidade de espírito que torna possível desfrutar a vida.

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