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Como falar com um adolescente sobre sexo?

Falar sobre sexo com adolescentes, muitas vezes, é um assunto delicado, porém necessário. Para as pessoas que os educam dentro de uma família religiosa, a simples ideia de falar sobre sexo pode parecer terrível. No entanto, o que é realmente preocupante é que não se sabe onde e em que condições os jovens podem receber essas informações.

Embora falar sobre sexo e sexualidade possa ser difícil, esse é um assunto sobre o qual precisamos conversar. Os adolescentes querem aprender mais sobre sexo, mas na maioria das vezes relutam em falar sobre sexo com adultos, especialmente com seus pais e responsáveis. Falar sobre o tema corretamente traz muitos benefícios para todos.

Não se sinta mal falando sobre sexo.

Falar sobre sexo não deve ser um assunto problemático. Embora seja difícil no início, esse desconforto deve desaparecer gradualmente. Os jovens têm muitas dúvidas e recebem informações contraditórias de vários lugares. Na verdade, a maioria dos adolescentes querem que alguém fale sobre sexo abertamente.

Se os jovens se acostumarem a falar sobre sexo com adultos, eles serão capazes de falar com seus parceiros sobre o que gostam e não gostam, o que querem e o que não querem. Em outras palavras, falar sobre sexo facilita a comunicação, aumenta a autoestima e torna os adolescentes menos vulneráveis.

Além disso, falar sobre sexo é uma forma de eliminar tabus e cultivar um comportamento sexual saudável e honesto. Também permite a transmissão de valores ao invés da imposição de medo e da punição.

Por onde começar?

Embora cada caso seja único, as sugestões a seguir o ajudarão a encontrar a maneira certa de falar sobre sexo com adolescentes. Lembre-se de que os jovens neste momento têm preocupações e necessidades. A proibição, dissimulação ou ameaças são incentivos para eles não se abrirem, por isso é melhor encontrar uma forma sincera de diálogo.

Inicie uma conversa.

Mesmo tímidos, vá em frente e inicie a conversa sobre sexo. Os adolescentes podem se sentir desconfortáveis ​​no início, especialmente se forem seus filhos, sobrinhos ou se você for seu educador. Porém, quando você se supera, tem a oportunidade de mostrar que está disposto a falar sobre coisas que o preocupam.

Iniciar uma conversa sobre sexo geralmente não é fácil. Para facilitar as coisas, você pode promover essa discussão a partir de alguma notícia ou de algum livro. Você também pode desencadear essa situação postando alguns vídeos ou assistindo a filmes.

 Sexo não é um jogo de “quem pega mais”.

Sexo não é um jogo de “quem pega mais”: esta é a primeira mensagem que você deve transmitir aos adolescentes. Fenômenos como o Tinder ou aplicativos de namoro distorcem as percepções dos adolescentes sobre sexo e relacionamentos, para não mencionar o número de vídeos e publicações que eles têm na ponta dos dedos.

Os adolescentes devem saber que o sucesso das relações sexuais não está no número de pessoas com quem interagiram, mas em algo mais profundo. Na verdade, no que diz respeito ao gênero, o número costuma ser um fator de ansiedade dos adolescentes.

Uma maneira de contornar esse jogo de números é perguntar aos adolescentes quantas pessoas eles “adoravam” contraíram doenças sexualmente transmissíveis, gravidez indesejada, experiências desagradáveis ​​etc.

Ensine como usar preservativos.

Uma vez iniciada a conversa sexual, explicar o propósito dos preservativos ao adolescente é a parte mais fácil. Reforce que além da gravidez indesejada, o preservativo é muito importante para previnir infecções sexualmente transmissíveis (IST’s). A parte que talvez possa ser mais incômoda é colocar a camisinha nas mãos e explicar como colocá-lo.

No entanto, se quiser que um adolescente use preservativos, você deve fornecê-los e explicar como usá-los para que ele se sinta seguro e os use. Muitas pessoas podem pensar que essa é uma forma de incentivar os jovens a fazer sexo, mas não é o caso.

Explique que o “não” é uma palavra poderosa.

É natural explorar sua sexualidade, mas não obriga ninguém a fazer algo contra sua vontade. Explique que ele não tem obrigação de atender às necessidades dos outros por medo e que tem o direito de decidir.

Aprender que o “não” é uma palavra poderosa que ensina que eles também devem respeitar os desejos um do outro. Qualquer relacionamento sexual deve ser baseado no respeito mútuo.

Esteja preparado para lidar com adolescentes LGBTQIA+.

Ao iniciar uma conversar sobre sexo, esteja preparado para a possibilidade desses adolescentes estarem em um processo de autodescoberta como homossexual, bissexual ou transsexual.

Se você tem dificuldades de lidar com esse tema, antes de iniciar essa conversa, tente se informar e esteja aberto a entender que a homossexualidade é uma característica humana tão normal quanto a heterossexualidade.

Ninguém se torna homossexual por influência ou por “safadeza”. Ainda que você discorde de mim sobre isso, deixo aqui uma pergunta para reflexão: Se você realmente acredita que a homossexualidade é uma “escolha”, em que momento da sua vida você decidiu ser heterossexual?

Se sua resposta for “eu não escolhi, sempre fui assim” ou “Sou hetero desde que nasci”, entenda que o mesmo ocorre com a homossexualidade, então esteja aberto para acolher e aceitar o adolescente como ele é.

O texto “Entenda a diferença entre sexo biológico, identidade de gênero, expressão de gênero e orientação sexual” publicado aqui no site, pode te ajudar nesse processo.

Contudo, se ainda sim, você sentir dificuldades para lidar com esse tema, escreva para contato@psicologopauloalencar.com.br que terei um imenso prazer em ajudar.

Responda a todas as dúvidas sobre sexo.

Para finalizar, ao falar sobre sexo com adolescentes, você deve esquecer o tabu e as palavras politicamente corretas. Se os adolescentes tiverem perguntas sobre sexo, responda-as com franqueza e sinceridade, e não caia no dogmatismo. E não o julgue.

Nunca julgue os adolescentes por causa de suas preocupações com sexo, não importa o que sejam.

Então você pode se tornar seu conselheiro. É inevitável que ele encontre mais informações ou explore por conta própria, mas pelo menos você lhe dará a oportunidade de falar com alguém quando surgirem dúvidas e medos.

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