Como lidar com o luto pelos animais de estimação.

Como lidar com o luto pelos animais de estimação.

A morte ainda é considerada um grande tabu. Pouco se fala sobre esse assunto, e na maioria das vezes as pessoas não sabem como agir, principalmente quando perdemos um animal de estimação. Como dizer adeus a um pet que já foi um membro da família? Um animal de estimação não é visto apenas como um gato, um cachorro ou um papagaio que pode ser substituído por outro poucos dias depois. Cada pet ocupa um espaço especial em nossas vidas, um cantinho privilegiado com memórias, rotinas e olhares impossíveis de esquecer.

A perda de um animal é algo paradoxo. Quando perdemos um membro da família, muitas vezes temos licença de dois ou três dias no trabalho. Porém, mesmo não havendo comparação, muitas pessoas vivenciam a experiência da perda de um pet da mesma forma que a perda de um membro da família. E essa tristeza aumenta ainda mais quando essas pessoas percebem a insensibilidade de um ambiente onde não faltam frases como “era apenas um gato” ou “isso se resolve arranjando outro cachorro”.

Outro assunto que não é muito falado e que certamente ocorre com bastante frequência hoje em dia é que os animais de estimação também são uma fonte de conflitos quando um casal se separa ou se divorcia.

A disputa pela guarda dos pets muitas vezes acabam nos tribunais junto com o processo de separação ou divórcio. Quando os juízes dão a guarda do pet para uma das partes, a pessoa que acaba ficando sem o seu animal também passa por um período de luto, enfrentando mais uma perda, algo que não é fácil de explicar

Assim como na Europa, no Brasil, a procura por tratamento psicológico para superar perdas de animais de estimação está aumentando consideravelmente. Inclusive, já existem psicólogos especializados no vínculo humano-animal e, especificamente, nas questões de perda e luto pelos animais de estimação.  Essa ajuda psicológica tem como objetivo facilitar o enfrentamento do luto pelos animais de estimação através dos seguintes pontos:

1º: Evite a culpa

Com a perda do pet, muitas pessoas passam a se sentir culpadas. Surgem pensamentos de que “poderíamos ter feito mais por eles” que levam ao aumento da culpa e da tristeza. Da mesma forma, outro fato complexo que deve ser levado em conta é a eutanásia, aquele processo com que às vezes se faz necessário para aliviar o animal de um sofrimento desnecessário.

Nesse sentido, é preciso afastar todo pensamento de culpa de nossas mentes. Acompanhar os pets nos seus últimos momentos sabendo que não podemos fazer mais nada deixando-os partir com carinho nos ajudará muito.

Um dos principais sentimentos que aparecem quando enfrentamos o luto pelos animais de estimação é a culpa.

 2º: Cada pessoa vive a perda e o luto de uma maneira diferente e merece o todo o respeito.

Dentro da nossa família, cada pessoa vivenciará o luto pelo animal de estimação uma maneira diferente.  Entender a dor da cada um e oferecer apoio é, sem dúvida, essencial nesses casos.

Também é importante prestar atenção no caso de crianças e idosos. As crianças precisam de uma atenção especial, pois elas podem estar enfrentando a questão da perda pela primeira vez. Se possível, envolva as crianças em homenagens com desenhos ao animal de estimação. Essas homenagens servem como cerimônias de despedidas do pet e ajudam a criança a vivenciar o luto. É importante também, esclarecer as dúvidas das crianças com sinceridade e ao mesmo tempo, suprimir uma crença comum: A dor deles não é menor ou menos intensa que a nossa pelo fato de serem crianças.

Já no caso dos idosos, essas perdas podem ser traumáticas. Os animais de estimação ocupam um lugar significativo no dia a dia dos idosos e o efeito desse vazio pode ser mais difícil de amenizar. Procure ouvir os idosos, a dor é partilhada é metade da tristeza.

3º: Sua rotina muda.

Qualquer animal de estimação ocupa um espaço em nosso lar e na nossa rotina diária.  Eles nos recebem com festa e carinho quando chegamos em casa, se aconchegam ao nosso lado no sofá ou na cama, sabem como pedir comida ou um passeio a qualquer hora preenchendo parte dos nossos dias. Sempre que nossos pets morrem, somos forçados a encarar é a falta desse convívio diário.

Tornar-se consciente disso, iniciar outras rotinas e mudar hábitos pode nos ajudar a lidar com a dor da perda dos nossos animais de estimação.

4º: Um animal de estimação não substitui o outro.

Cada animal é um ser único e precisamos dar tempo ao tempo para a viver o luto, para aceitar a morte e guardar as memórias boas em um cantinho do nosso coração. Posteriormente, se você sentir a necessidade de um novo amigo para lhe proporcionar bons momentos, adote outro animal.

Se você pensa em adotar outro animal de estimação logo após a perda do seu pet querido, saiba que essa não é a melhor maneira de “viver o luto” pelo animal falecido.

A perda de um animal de estimação provoca uma dor intensa que é difícil de administrar. Por isso muitas pessoas se sentem sozinhas e incompreendidas, pois para elas, a despedida não é de um simples cachorro, de um simples gato, de um simples coelho ou de um simples passarinho. São vidas significativas, como a de familiares que as acompanharam durante um período de suas vidas, oferecendo companhia, amor e carinho.

5º. Compartilhe suas emoções e sentimentos com os amigos e familiares e se necessário com um psicólogo.

Em vez de guardar todo o sofrimento para si mesmo, não tenha medo de contar como se sente para seus entes queridos. Se um amigo se oferecer para visitá-lo, aceite, mesmo que não tenha vontade de falar com ninguém. O simples ato de se sentar com um amigo compreensivo e conversar sobre coisas triviais poderá fazer você se sentir menos solitário e isolado. Fale com sua família e tente vê-la com mais frequência, já que os familiares poderão oferecer conforto e palavras amáveis que o ajudarão a processar a dor e a pensar com carinho no seu animal de estimação.

Ainda sim, caso sinta necessidade, procure um psicólogo. Às vezes, o sofrimento poderá ser esmagador e você continuará se sentindo deprimido e chateado, mesmo depois de ter conversado com amigos e familiares. Se a dor fizer com que você se sinta impotente e incapaz de realizar as funções do cotidiano, busque ajuda de um psicólogo para enfrentar o luto pela perda do seu animal de estimação e continue seguindo em frente com o coração repleto de belas recordações.

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