Depressão: sintomas, diagnóstico prevenção e tratamento.

Depressão: sintomas, diagnóstico prevenção e tratamento.

A depressão é uma doença que tem como característica a perda ou diminuição do interesse e do prazer pela vida, gerando angústia e abatimento, algumas vezes sem um motivo claro.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, hoje, a depressão é considerada a quarta principal causa de incapacitação no mundo.

O que é depressão?

A depressão é uma doença que tem como uma das causas a desregulação na produção e receptação de neurotransmissores no sistema nervoso central (SNC).

A serotonina, a dopamina e a noradrenalina são algumas das substâncias responsáveis pelos sentimentos de bem-estar, felicidade, disposição, prazer e serenidade.

A desregulação desses neurotransmissores no SNC gera um desequilíbrio hormonal e, então, surgem sintomas como insônia, tristeza, ansiedade, pessimismo e falta de motivação. Quando a depressão não é tratada, também podem ocorrer sintomas físicos.

Cérebro Normal e com depressão
Através da imagem de uma tomografia computadorizada é possível observar que o cérebro de uma pessoa com depressão apresenta menor atividade.

Por esse motivo, é extremamente importante procurar ajuda médica quando alguns sinais de alarme são percebidos. A depressão é uma doença que possui tratamento efetivo e deve ser medicada o quanto antes.

Através da imagem de uma tomografia computadorizada é possível observar que o cérebro de uma pessoa com depressão apresenta menor atividade.

Sinais e sintomas.

1. Perda de interesse nas atividades cotidianas e hobbies.

Uma pessoa deprimida frequentemente perde o interesse e a vontade de fazer coisas que antes eram prazerosas.

Conforme a doença se agrava, ela esgota todas as suas forças físicas e mentais. Assim, nem as atividades que antes eram agradáveis são capazes de provocar satisfação e alegria.

2. Dificuldade de concentração e cansaço constante

Um paciente com depressão não possui o estado mental e físico como o de alguém saudável.

Em alguns casos, o cansaço é tão grande que a pessoa depressiva não consegue sair do quarto e não tem força de vontade para atividades comuns — como tomar banho ou se alimentar. Além disso, ela não consegue se concentrar no trabalho ou na escola.

Entretanto, existem casos em que o indivíduo até aparenta um estado emocional equilibrado, mas, na verdade, está mentalmente exausto. Se não houver um diagnóstico, ele não saberá que o cansaço extremo é uma depressão.

3. Indiferença ao afeto

Nem sempre as pessoas com depressão parecem tristes. Elas podem simplesmente não sentir nada pelo que acontece na vida. É comum a descrição um estado de entorpecimento com sentimentos de frieza e indiferença a demonstrações de carinho ou grandes acontecimentos.

Esse é um sinal de alerta importante — principalmente para aquelas pessoas que sempre foram carinhosas e atenciosas com amigos e familiares.

4. Oscilação de humor

É comum a alternância de períodos bons e períodos ruins. Geralmente, os dias ruins não têm um motivo aparente — e essa é uma manifestação da doença.

Além disso, é normal que a depressão cause episódios de irritação, assim como de apatia.

Quem está deprimido precisa continuar lidando com suas responsabilidades diariamente, apesar de o cansaço ser extenuante. Viver dessa forma pode sugar todas as energias e causar sentimentos como a raiva e a impaciência.

No entanto, há dias em que a tristeza é tão profunda que a pessoa fica apática e sem reação. É importante, então, perceber mudanças de humor constantes. Afinal, esse é um forte sintoma de alerta.

5. Choro frequente e sentimento de tristeza profunda

O choro é um indício que causa alarde quando não tem motivo plausível. Se ele não possui uma causa ou justificativa e acontece com frequência, pode ser indicativo de depressão. É importante ressaltar que nem todas as pessoas depressivas choram.

Algumas podem apresentar sentimentos de desesperança, inutilidade e desamparo. Esses sentimentos demonstram uma tristeza — e a pessoa se sente culpada por tudo de negativo que acontece em sua vida.

Nesse estado, não é possível enxergar nenhum lado positivo ou sentimento bom. Frases como ‘’ninguém se importa’’ ou ‘’a culpa é sempre minha’’ são sinais de alerta para a depressão.

Se você identificou esses sintomas em alguém da sua família ou em você mesmo, não se preocupe. Essa é uma doença que responde bem ao tratamento farmacológico e psicológico, além de ser muito comum na nossa sociedade.

Procurar atendimento médico de qualidade é essencial para tratar, efetivamente, os sintomas da depressão.

Assista abaixo uma entrevista com o Dr. Dráuzio Varella sobre depressão:

Fatores de risco.

A doença pode aparecer em qualquer pessoa, de qualquer idade e classe social. Porém, alguns fatores podem influenciar diretamente no desencadeamento da depressão, tais como:

  • Histórico familiar
  • Transtornos psiquiátricos correlatos
  • Estresse crônico
  • Ansiedade crônica
  • Disfunções hormonais
  • Excesso de peso
  • Sedentarismo e dieta desregrada
  • Vícios (cigarro, álcool e drogas ilícitas)
  • Uso excessivo de internet e redes sociais
  • Traumas físicos ou psicológicos
  • Pancadas na cabeça
  • Problemas cardíacos
  • Separação conjugal
  • Enxaqueca crônica

Diagnóstico de depressão.

Existem alguns testes e questionários que apontam para um possível quadro de depressão, mas só uma avaliação apurada do médico psiquiatra, que incluirá histórico do paciente e da sua família, bem como alguns exames, poderá definir se o problema é realmente uma depressão.

A condição, aliás, muitas vezes está associada a outros transtornos psiquiátricos. A depressão também é classificada de acordo com a sua intensidade — leve, moderada ou grave.

Prevenção.

Para espantar a tristeza sem fim da rotina, é importante gerenciar o estresse e compartilhar as dificuldades do dia a dia. Ler, aprender coisas novas, fazer hobbies e se divertir ajudam a manter a cabeça ativa e livre de pensamentos negativos ou preocupações excessivas. O otimismo, ladeado de bom-senso, assegura o bem-estar emocional.

A máxima “mente sã, corpo são” é cientificamente aceita e o caminho inverso também procede. Ou seja, cuidar do organismo reflete na saúde mental. Nesse ponto, o conselho é praticar atividade física regularmente, inclusive porque estudos atestam que elas incentivam a liberação de hormônios e outras substâncias importantes para a manutenção do humor.

Pesquisas recentes revelam que até a dieta influencia as emoções. Nesse quesito, vale se inspirar no cardápio dos mediterrâneos, abastecido de azeite de oliva, peixes, frutas, verduras e oleaginosas (nozes, castanhas…).  As gorduras e os antioxidantes presentes nesse menu estão associados à maior proteção e conservação das redes de neurônios. Quando a comunicação entre as células nervosas está afiada, não sobra espaço para a angústia se apoderar da cabeça.

Tratamento.

A depressão pode durar semanas ou mesmo anos. E uma vez que o indivíduo passe por uma crise, corre maior risco de enfrentar episódio semelhante outra vez na vida. Na maioria das vezes, o tratamento é feito em conjunto pelo psiquiatra e o psicólogo.

Existem diversos medicamentos antidepressivos, que ajudam a regular a química cerebral, e o médico escolherá segundo o perfil do paciente. O acompanhamento psicológico, que buscará levantar as causas do problema e como ele poderá ser desmontado, é crucial inclusive porque os remédios podem demorar um tempo para fazer efeito.

Dentro da abordagem da psicoterapia, uma das correntes mais utilizadas no tratamento da depressão é a cognitivo comportamental, que identifica conflitos e auxilia o paciente a encará-los e sair do estado de abatimento.

Existem estudos apontando que a acupuntura e a musicoterapia seriam coadjuvantes na recuperação do bem-estar emocional.

Entretanto, recomenda-se também que a pessoa adote estilo de vida saudável, com dieta equilibrada e prática regular de atividade física. Também se reforça a indicação para combater o estresse concedendo tempo na agenda para atividades prazerosas.

Para os casos mais graves e resistentes ao tratamento convencional, hoje se estuda a aplicação de técnicas como a eletroconvulsoterapia e a estimulação magnética transcraniana.

*Os textos do site são informativos e não substituem o atendimento realizado por profissionais.

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