O medo da insignificância.

O medo da insignificância.

O medo da insignificância é um dos sentimentos mais relatados por pacientes em psicoterapia nos últimos tempos. Nós humanos temos a tendência de nos compararmos com os outros da mesma forma que temos a tendência de sentir inveja. É como se nós sempre precisássemos de uma referência externa para nos sentir bem.  

Até pouco tempo atrás, era normal muitos de nós fazermos comparações com a nossa família, com amigos, com pessoas do nosso bairro ou mesmo com os que pensam como nós. Agora, muita gente tem se comparado com personagens inatingíveis, como os “magos dos investimentos”, empreendedores de sucesso ou mesmo com os influenciadores digitais. Quando efetuamos esse tipo de comparação, sempre “perdemos” e em muitas vezes nos sentimos insignificantes.

O medo da insignificância está se tornando uma epidemia, quem se compara, está analisando apenas uma realidade manipulada e não se dá conta que ele vê apenas o que o outro quer mostrar e não a realidade daquela pessoa de fato.

Diante disso, é muito importante que as pessoas aprendam a ter seus próprios valores e a definir seus próprios objetivos. Visto que somos uma sociedade que trabalha muito pouco as questões internas, o medo o medo da insignificância acaba ganhando espaço.

O que há por trás de muitos influenciadores e porque você não deve se espelhar neles?

Vivemos em um mundo tecnológico e tendência é que a tecnologia faça cada vez mais, parte do nosso dia a dia. No mundo atual, existem meios que nos permitem comunicar a nível global, de forma pessoal ou anônima.

As redes sociais nos fornecem espaço para expressar nossos pensamentos e sentimentos. As marcas usam isso para se aproximar das pessoas, e as pessoas usam para se aproximar das marcas.

Muitas empresas estão gastando cada vez mais dinheiro para aumentar sua comunidade de seguidores ativos nas redes sociais. Elas querem que pessoas influentes recomendem seus produtos e serviços, em vez de fazer propaganda direta. Mais e mais empresas estão apostando nessa fórmula e, o que é mais importante, mais e mais pessoas estão dispostas a pagar por ela.

A maioria dos influenciadores são apenas as marcas disfarçadas. E o perigo mora justamente ai… Esses influenciadores podem gerar uma ideia de referência totalmente distorcida, afinal, por trás do “mago das finanças” pode estar uma empresa de investimento querendo vender serviços e a vida de ganhos que o influenciador mostra nas redes sociais pode não ser nada daquilo.

Quem não se lembra daquele famoso caso: “Oi. Meu nome é B*****, eu tenho 22 anos e 1 milhão e 42 mil reais de patrimônio acumulado”. “Não foi sorte, não ganhei uma bolada e nem ganhei na loteria. Comecei com 19 anos e R$ 1.520. Três anos depois tenho mais de um milhão (de reais). Simples assim”.

No final, descobriram que não era bem isso, além de ser de família rica, os R$ 1.520 que viraram mais de um milhão, na verdade sofreram diversos aportes, desde a riqueza herdada da família até o salário dela na empresa. 

Agora eu te pergunto, caro leitor, qual será o sentimento de alguém que seguiu os mesmos passos dessa influenciadora financeira, investiu R$ 1.520 e um ano e meio depois, não fez seu patrimônio chegar nem a R$ 50.000? Isso mesmo, medo! O medo da insignificância pessoal, profissional e financeira.

A questão central aqui é que hoje nós vivemos em um mundo onde as marcas querem ser pessoas e as pessoas querem ser marcas, contudo, a segunda opção nem sempre é possível, por isso, tome cuidado com quem você segue para não se sentir insignificante.

O medo da insignificância e a vida comum desvalorizada.

Atualmente, muitos pais estão tentando fazer com que seus filhos se destaquem em certos campos, esportes, escola, música, redes sociais, etc. O problema é que eles estão dispostos a pagar um preço alto por isso (em alguns casos, eles nem sabem que pagaram).Isso aumenta o medo da insignificância, pois ter uma vida comum já não é algo tão valorizado. Entretanto, não podemos esquecer que a missão dos pais é semear nas crianças a ideia de que elas mesmas são responsáveis ​​pelos objetivos que perseguem.

A frustração baseada na decisão e nos esforços individuais e coletivos, darão à próxima geração a chance de não ser afetada pelo medo da insignificância. Vamos pensar que, em muitos casos, o medo das trivialidades pode levar à ansiedade e à depressão.

Desempenhar um papel importante na sociedade não garante felicidade nem realização pessoal.  Possivelmente, você ou alguém próximo já se pegou pensando por que aquele amigo ou conhecido tem tanto sucesso? Por que ele trabalha em uma empresa importante ou é um empreendedor de sucesso? Por que ele conseguiu tudo o que queria na vida e você não? Certamente pensar sobre isso gerou algum tipo de ansiedade ou tristeza, certo?

Percebe como você mesmo se colocou nesse lugar de insignificância? Primeiro porque você desconsiderou o fato que, possivelmente, aquela pessoa mais bem sucedida teve mais oportunidades que você e que a tal da “meritocracia” não existe, visto que nunca partimos todos do mesmo ponto. Segundo porque você também não levou em conta quantas vezes aquela pessoa fracassou antes de ter sucesso.

Sabe por que você ignorou tudo isso?  Porque somos constantemente bombardeados por ideais de sucesso.  Se você não for o melhor aluno, o melhor profissional, se não for capaz de se auto motivar, se não tiver uma carreira de sucesso ou o celular de última geração você não é ninguém. Isso não causa apenas uma insatisfação pessoal e o medo da insignificância, mas também uma falsa ideia de que você precisa ter o sucesso que o mundo deseja o que te leva ao consumo excessivo de coisas que você realmente não precisa.

Agora pare e pense. Quantas pessoas já tiveram tudo isso e largaram sua “vida de sucesso” para viver uma vida simples? Será que elas enlouqueceram ou será que apenas se deram conta de que precisam viver a vida que elas realmente querem e não a vida que desejaram para elas?

Sim, por incrível que pareça, é possível viver mais com menos e ser feliz resignificando sua vida para quem realmente importa, você!

Ainda não sabe como fazer isso? Procure um psicólogo.

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