Perfeccionismo, auto exigência e a necessidade de controle.

Perfeccionismo, auto exigência e a  necessidade de controle.

Viver em sociedade nos dias de hoje implica em lidar com uma séria de exigências profissionais, sociais e familiares. É por isso que é tão difícil não cairmos na armadilha do perfeccionismo, da nossa auto exigência e da necessidade de controle.

Às vezes, quando a sociedade caminha tão rápido, é quase impossível fazer uma pausa. Temos uma lista interminável de afazeres, vários horários que nos “ajudam” a organizar e otimizar o tempo, compromissos que devemos cumprir e tarefas que devemos realizar em casa ou com a família.

“Será que serei uma boa mãe?”, “Se eu fizer hora extra, o meu trabalho será mais valorizado”, “Não posso errar”, “Será que meus amigos gostam de mim?”, “Será que estou bonito?”. Essas são algumas das perguntas mais frequentes.

O Perfeccionismo e a excessividade da auto exigência.

Boneco articulado pensando no perfeccionismo.

A ideia social de que devemos sempre atingir nossos objetivos nos leva a acreditar erroneamente que o perfeccionismo pode e deve ser alcançado em todas ou na maioria das áreas de nossas vidas.

O estabelecimento de metas dá sentido à vida, porém, quando estabelecemos metas inalcançáveis, surgem diversos problemas, afinal, por muitas vezes, as metas que estabelecemos são irreais: “Nunca vou me atrasar para o trabalho”, “Preciso sempre estar linda e arrumada para ninguém me julgar” ou “Se a influencer consegue acordar as 4hs da manhã e fazer exercícios, eu também consigo.”

Necessidade de controle: Eu devo X Eu quero.

Boneco articulado manipulado.

Para iniciar, pense… Será que as metas que estabelecemos para nós mesmos dependem inteiramente de nós? Será que essas metas são acessíveis? Será que só com nossos recursos pessoais, ambiente, circunstâncias e relacionamentos alcançaremos essas metas? Ou será que essas metas estão sendo baseadas em ideias e pessoas irreais que existem apenas nas redes sociais?

Quando pensamos sobre isso, entendemos se realmente queremos trilhar esse caminho em direção a esse objetivo, ou se sentimos que se trata de uma obrigação imposta pela sociedade, pelo ambiente em que vivemos ou por nossa própria crença nesse ideal de perfeição.

Faça a seguinte tarefa reflexiva: Em uma folha de papel, divida ao meio com uma coluna. Em um lado escreva “Devo ou tenho que” e anote tudo o que você considera uma obrigação. Do outro lado escreva “Eu quero ou gostaria que” e anote tudo que faz parte da sua escolha. Vejamos um exemplo muito simples:

Devo / Tenho que:Eu quero / Gostaria que:
“Tenho que ficar em casa este fim de semana porque tenho que limpar a casa, lavar e passar minhas roupas.”  “Quero ir à praia para me desligar do trabalho e depois deitar para descansar, faz tempo que não faço isso.”  

A necessidade de distinguir entre obrigações e escolhas.

Boneco articulado sentado com bola.

Diante dessa situação, a mente começa a equilibrar os prós e os contras de cada opção: “limpar a casa” ou “ir à praia e descansar”. É aqui que surge a necessidade de controle, de estruturar nossas vidas de acordo com o que queremos, do que devemos, do que esperamos de nós e dos nossos ideais.

Nós até conseguimos resistir a vontade de ir à praia com a desculpa que se formos, teremos mais tarefas acumuladas para amanhã. Porém, a simples ideia de deixar essas tarefas acumuladas, pode causar uma angustia por estarmos presos às nossas obrigações. É o medo da ineficiência que nos faz criar essa obsessão por usar melhor o tempo.

Pensar nessa ineficiência nos incentiva a ficar em casa. Porém, com o passar do tempo, nos sentimos aprisionados e nos consolamos com a ideia de que “mais um fim de semana virá”.

Escolher e descartar.

Bonecos articulados com plantas.

Precisamos entender que a vida está mudando constantemente e que mesmo que a gente queira e tente, nós não podemos controlar tudo. Entender isso nos ajudará a tomar decisões com base em nossas necessidades, preocupações, desejos ou prazeres pessoais de saúde e bem estar.

Optar por viver nossas vidas sem nossa auto exigência nos libertará da pressão, frustração, estresse ou impotência de obrigações auto impostas devido à busca da excelência ou perfeição.

Ao nos libertarmos desse peso, nos damos permissão para fazer o seguinte:

  • Sermos nós mesmos, afinal, nenhum juiz interno nos critica por coisas boas ou ruins.
  • Amar a nós mesmos como somos, pois quando fazemos isso e aceitamos os erros que podemos cometer, nós valorizamos nossas qualidades pessoais.
  • Sermos assertivos, dizer “não” de vez em quando sem que a gente se sinta culpado faz bem.
  • Dedicar mais tempo para si mesmo, pois isso ajuda a nossa saúde física e mental.
  • Reconhecer nossas conquistas e valorizar os esforços feitos para alcançá-las, é uma forma de mostrar para você mesmo, o quanto é capaz.
  • Sermos nossa maior prioridade, ouvir nossas necessidades e não pensar que somos egoístas por isso nos torna mais fortes.

Diante da auto exigência e do perfeccionismo, é melhor escolher adaptabilidade.

Boneco articulado sentado no banco de madeira.

Quase 90% das pessoas ao nosso redor são perfeccionistas e o motivo principal de sua infelicidade é a busca continua pela perfeição.

Aprender a “soltar as rédeas” não é uma tarefa fácil, mas é um exercício muito benéfico. Nesse processo, podemos:

• Saber quem somos e entender como atuamos.

• Cultivar a inteligência emocional e remover as coisas que nos fazem sentir desconfortáveis ​​na vida.

• Optar pela livre escolha, equilibrando “eu devo” e o “eu quero”.

• Mudar o foco de nossas vidas para nossa saúde e bem-estar.

Vale a pena tentar, afinal, não vamos perder nada por isso. Se ainda sim você sentir dificuldades de lidar com seu perfeccionismo, sua auto exigência e sua necessidade de controle, procure um psicólogo.

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