Por que há tanta briga entre as torcidas no futebol?

Por que há tanta briga entre as torcidas no futebol?

A violência entre as torcidas de futebol é um fenômeno que observamos frequentemente não só no Brasil, mas em diversos países. Por que esse comportamento acontece? Neste artigo, vamos abordar algumas teorias sobre a briga entre as torcidas.

De tempos em tempos, os veículos de comunicação publicam notícias sobre briga entre as torcidas rivais. O último evento violento foi no duelo entre Flamengo e Peñarol pela Libertadores, torcedores dos dois clubes se envolveram em briga no Leme, bairro da zona sul do Rio de Janeiro. 

Como resultado da violência um torcedor do Flamengo ficou ferido em estado grave após receber pauladas na cabeça e precisou ser levado de ambulância para o Hospital Miguel Couto. Ele sofreu lesões no crânio e passou por tomografia. Marcas de sangue foram vistas na rua. O torcedor tem 60 anos.

Muitas pessoas ficam espantadas frente a esse tipo de comportamento coletivo e não entendem as razões que levam a ele. É por isso que a psicologia estuda o comportamento social dos grupos há muitos anos. Neste artigo, tentaremos esclarecer o que está por trás desses comportamentos agressivos e violentos.

Violência e briga entre as torcidas de futebol a partir do processo de desindividualização.

Briga entre torcidas.

Não existe uma única teoria que explique todas as razões da violência entre os torcedores, mas algumas delas trazem luz sobre o comportamento coletivo. Em primeiro lugar, para explicar a violência no futebol, abordaremos o processo de desindividualização. Esse processo não explica a violência da briga entre as torcidas em si, mas o comportamento em grupo.

Imagine que estamos assistindo a uma partida de futebol e um jogador da equipe rival está perto de nós. Se temos intenção de insultá-lo, mas estamos cercados por torcedores do time adversário, provavelmente não vamos fazê-lo. Agora, o que aconteceria se estivéssemos cercados por torcedores do mesmo time?

Se os torcedores que nos cercam são da mesma equipe e sua intenção também for insultar, acabaremos atacando verbalmente o jogador da equipe rival. Qual é a diferença entre as duas situações? O anonimato e a responsabilidade.

Como destacado por Moral, Gómez e Canto (2004):

Nessas situações, o anonimato, o grupo e a autoconsciência individual reduzida levariam as pessoas a ter comportamentos desinibidos, impulsivos e antinormativos.

Quando nos escondemos no anonimato, nos tornamos mais propensos a ações violentas. Se ninguém souber que somos nós que insultamos, faremos isso com maior frequência do que quando somos o centro das atenções. Estando em grupo, a autoconsciência diminui, isto é, nossa responsabilidade é transferida para o grupo. Deixamos de ser nós mesmos e nos tornamos o grupo, então podemos pensar “não sou só eu que insulto, e sim o grupo”.

Processo de conformismo.

Briga no jogo de futebol.

O conformismo é outro processo que pode explicar a violência entre as torcidas de futebol. Este processo consiste na modificação do comportamento de um indivíduo, ou seja, a pessoa se comporta da mesma forma que a maioria do grupo espera. Em outras palavras, as pessoas mudam o próprio comportamento para adaptá-lo ao grupo.

Como indicado por Paéz e Campos (2003):

Conformismo é a mudança de comportamentos ou crenças devido à pressão de um grupo, que modifica as pré-condições do sujeito na direção da norma estabelecida pelo coletivo em questão.

Nos grupos podemos encontrar vários tipos de normas, como a norma descritiva, que se refere a como se age dentro do grupo, e a norma prescritiva, que alude a como se espera que se atue.

O conformismo é um tipo de influência normativa, já que o indivíduo é capaz de mudar seu comportamento pessoal para adaptá-lo ao do grupo. Ele é até mesmo capaz de realizar comportamentos totalmente opostos àqueles que seriam realizados individualmente.

Portanto, se nosso grupo de referência se comportar de forma violenta, não seria estranho adotarmos aquele tipo de comportamento.

Esse conformismo cresce à medida que os níveis de controle de grupo sobre seus membros e a interdependência entre eles aumentam. Também cresce quando há uma certa incerteza ou ambiguidade, isto é, “quando não sei o que fazer, adoto o comportamento do grupo”.

O conformismo aumenta quando há semelhanças entre o grupo e o indivíduo. Se um torcedor se sente muito identificado com um time de futebol e com a ideologia violenta de um grupo de torcedores, estará mais propenso a ter um comportamento violento.

Como não sucumbir a esses processos?

Torcida unida.

A violência em briga entre as torcidas é uma realidade que faz parte do nosso cotidiano. Expectativas excessivas em estímulos externos levam as pessoas a depositar sua felicidade em eventos como um jogo de futebol.

Um indivíduo não desenvolveu a empatia e só aprendeu a resolver as diferenças pelo caminho da violência, certamente será muito mais influenciado pelos processos de desindividualização e conformismo do que uma pessoa empática que entende que adversário não é um inimigo.

Ser muito bem resolvido com nós mesmos também nos ajuda a não sentir a necessidade de fazer parte de um grupo. É justamente por trás dessa necessidade, que muitas vezes se esconde uma autoestima rebaixada que é compensada pelo pertencimento ao grupo.

O sentimento de pertencimento nos dá falsa sensação de plenitude emocional, de modo que buscamos fora a realização pessoal que não desenvolvemos em nosso interior.

Conhecer a si mesmo será essencial para evitar cair em grupos em que a violência é uma realidade. Quanto menor é nossa autoestima e quanto mais “forte” é o grupo, mais precisamos pertencer. Então, se começarmos a respeitar a nós mesmos e aos outros, esse tipo de evento será coisa do passado.

Referências: A mente é maravilhosa; Globo Esporte ;
Revista de Psicología Social.

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