Se você atingiu o fundo do poço, olhe para cima e levante-se!

Se você atingiu o fundo do poço, olhe para cima e  levante-se!

Desemprego, dificuldades financeiras, doenças, separações… Muitos são os motivos que podem nos derrubar e nos levar ao fundo do poço nesta época de pandemia. Ter altos e baixos é parte inerente da vida do ser humano, por isso, se você cair, não entre em pânico. Se você atingiu o limite de sua força, se esse recente fracasso ou decepção o tocou mais do que nunca, não paralise, não tenha vergonha e não aceite a vida em um abismo pessoal e psicológico. Levante-se. Tome o impulso e faça como os corajosos: Não desista.

A grande maioria de nós já se deparou, em mais de uma ocasião, com a frase: “Cheguei ao fundo do poço”. Psicólogos e psiquiatras se reúnem com pacientes que atingem o limite todos os dias. Eles estão convencidos de que, depois de chegar ao fundo, existe apenas uma opção possível: mudança e melhoria.

A triste realidade é que essa regra dos três nem sempre funciona. Razão? Há quem se estabeleça permanentemente nesse fundo. Além disso, há quem descubra que há outro porão que é ainda mais escuro e mais complexo. Portanto, essa ideia, essa abordagem, que muitas vezes é compartilhada por muitos, pode impedir perversa e ironicamente uma pessoa de procurar ajuda antes, enquanto o problema não é tão sério e é possível fornecer recursos simples para melhoria ou mudança.

Muitos de nós atingimos o fundo alguma vez, e levantar não é fácil.

Homem no escuro.

É fato que em algum momento da vida atingimos o fundo do poço e sabemos o quanto dói. Uma grande proporção da população já caiu em um estado de medo, desespero ou fracasso. Ficar aprisionado no fundo só dificulta o equilíbrio pode nos levar a distúrbios mentais. A ideia de que apenas o desespero mais absoluto certamente nos levará a ver a luz e experimentar melhorias não é real.

Você também não precisa sofrer para realmente saber o que é a vida. Porque a dor ensina e ilumina somente quando temos a vontade e os recursos certos para fazê-lo. Assim, como gostamos dessa ideia, não existe um piloto automático em nosso cérebro que nos coloque em um “modo de resistência” toda vez que atingirmos o limite de nossas forças.

O filósofo e psicólogo William James falou de cavernas melancólicas em seu livro Diversity of Religious Experiences (1902). Algumas pessoas conseguem chegar ao fundo, mesmo sem saber o motivo, de onde podem ver o ponto em que a luz do sol as guia das profundezas até a saída. No entanto, outros estão presos em uma caverna melancólica. Este é um canto de vergonha na vida (como cheguei aqui?), Exceto pelo sentimento de depressão crônica (não posso fazer nada para melhorar minha situação, tudo está perdido).

Se você chegou ao fundo do poço, não se acostume com esse lugar. Levante-se!

Homem com mãos no rosto.

Chegar ao fundo do poço significa desanimar, mas não queira ir descer ainda mais. Não se deixe entrar no porão do desespero. Tocar o fundo do poço também significa alcançar o cenário de profunda solidão, uma caverna onde nada acontece e a mente se enreda, na qual os pensamentos ficam presos, tornam-se estranhos e obsessivos. No entanto lembre-se: você tem um bilhete de volta e só precisa dar um passo para perceber que novas possibilidades são possíveis.

O ato de levantar-se pressupõe algo extremamente difícil: consiste em superar o medo. Uma maneira de resolver esse problema é usar a técnica da seta para baixo proposta por terapeutas cognitivos como David Burns. De acordo com essa abordagem, muitas pessoas vivem nesses poços psicológicos porque estão bloqueadas, porque sofrem, se sentem perdidas e, embora tenham consciência de que precisam de mudanças para superar o impasse, não têm coragem ou não sabem como fazê-lo.

A ideia principal dessa técnica é refutar muitas crenças irracionais que tantas vezes nos apresentam esses cenários de inquietude e desespero. Para fazer isso, geralmente os psicólogos selecionam um pensamento negativo mantido pelo paciente perguntam: “Se esse pensamento fosse verdadeiro e realmente acontecesse, o que você faria?” Esse questionamento envolve esboçar uma série de perguntas que podem funcionar como setas apontando para baixo, mostrando as ideias erradas, para identificar e flexibilizar crenças e pensamentos irracionais.

Sozinho ao por do sol.

Vamos dar um exemplo: Pense em uma pessoa que perdeu o emprego e está desempregada por um ano. As perguntas que poderíamos fazer para enfrentar nossos medos seriam: o que aconteceria se você nunca mais tivesse um emprego? O que aconteceria se o seu parceiro também perdesse o emprego? O que você faria se de repente se encontrasse sem dinheiro? Esse exercício pode parecer muito difícil, porque sempre tenta atingir o limite mais catastrófico da situação.

No entanto, visa dar impulso a uma pessoa, incentivando-a a reagir, confrontar e argumentar possíveis estratégias diante de situações desesperadoras que ainda não aconteceram (e que não necessariamente ocorrerão). Basicamente, isso mostra que, apesar de chegar ao fundo, existem situações mais complexas e, portanto, ainda há tempo para reagir. De fato, depois de enfrentar todos esses medos, resta apenas uma opção: levantar-se. E essa será a decisão que mudará tudo.

Sobre o autor:

Paulo Alencar é psicólogo Cognitivo Comportamental (CRP 06/137862), tem Formação em Terapia Comportamental Cognitiva em Saúde Mental, pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). É pós-graduando em Terapia Cognitivo Comportamental pelo ITC – Instituto de Terapia Cognitiva. Realiza atendimento clínico presencial e online para adolescentes, adultos, idosos e LGBTQIA+. Seu consultório se localiza na Rua Manuel da Nóbrega, 354 em São Paulo, próximo ao metrô Brigadeiro. Possui interesse em música brasileira / flashback, cinema, parques, esportes radicais e tecnologia. Contato: (11) 99735-1268, e-mailSitefacebookInstagramLinkedin

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Referências: A mente é maravilhosa.

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