Tripanofobia: O medo de agulhas.

Tripanofobia: O medo de agulhas.

A tripanofobia ou o medo de agulhas é uma fobia que voltou a assustar muita gente com o inicio da vacinação para a Covid-19. Esse medo também é conhecido como belonefobia. Entretanto, alguns autores diferenciam os termos, referindo-se à fobia de agulha como belonefobia e à fobia de injeção como tripanofobia. Neste artigo, usaremos o conceito de tripanofobia para nos referir aos dois casos.

O que constitui esse medo? Quais são suas causas e sintomas? Além de falarmos sobre isso, iremos abordar as duas psicoterapias mais eficazes para essa fobia em particular.

Características da tripanofobia.

A tripanofobia se configura por um medo excessivo, intenso e irracional de agulhas e injeções.

Todos nós sabemos que qualquer objeto perfuro cortante como as agulhas podem causar danos se usadas de maneira indevida. Entretanto, assim como ocorre em todas as fobias específicas, na tripanofobia o medo é completamente desproporcional.

Quem sofre com esse medo de agulhas e injeções, tem um tem altos picos de ansiedade ao tirar sangue ou doar sangue, fazer tatuagens ou serem vacinadas.

Como podemos observar, essa fobia interfere diretamente na vida das pessoas, principalmente em momentos de grande fragilidade por uma doença que necessita de intervenção medicamentosa injetável ou em exames de sangue.

De onde vem esse medo?

Em cada fobia específica, o estímulo fóbico pode causar ansiedade ou medo intenso. No caso da tripanofobia, o objeto que causa medo são as agulhas, mas também existe a possibilidade de seringas ou vacinas. Além disso, é importante ressaltar que, em alguns casos, o indivíduo tem medo de elementos relacionados a agulhas ou seringas, como o jaleco branco do médico e/ou enfermeiro, materiais cirúrgicos, macas ou cheiros hospitalares.

Sintomas

De acordo com o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), os sintomas da tripanofobia são:

  • Grande medo de agulhas ou injeções;
  • Evitação de situações onde esses objetos aparecem;
  • Desconforto ou interferência significativa na vida diária.

Ainda podemos especificar os sintomas desta fobia, dividindo-os em três categorias:

  • Sintomas físicos: Náuseas, vômitos, tontura e dor de estômago, sensação de falta de ar, etc.
  • Sintomas Cognitivos: Pensamentos intrusivos irracionais ou catastróficos relacionados a agulhas, confusão mensal e pensamentos de morte.
  • Sintomas Comportamentais: Evitação de agulhas, injeções, vacinas ou de ambientes relacionadas a elas como hospitais e postos de saúde.

Quando aparecem os sintomas? Geralmente, quando uma pessoa pensa ou vê uma agulha ou um ambiente relacionado a ela, como por exemplo, o simples fato de ir ao ao médico ou dentista. No geral, sempre que uma pessoa pensa em agulhas ou se expõe a lugares relacionados a elas, os sintomas de ansiedade aparecem.

Dependendo da gravidade da fobia, pode haver ou não sintomas em alguns casos. Por exemplo, para algumas pessoas, ir ao hospital ou ao dentista não causa nenhum mal estar desde que os procedimentos incluam medicações orais. Para essas pessoas, apenas o contato real com a agulha gerará algum tipo de ansiedade.

Causas da tripanofobia.

As causas do medo de agulhas podem ser distintas. O mais comum são as causas oriundas de experiências traumáticas relacionadas a agulhas, como ferimentos durante a coleta de sangue.

Esses traumas podem ser explicados pelo aprendizado associativo (condicionamento clássico), onde o cérebro associou um estímulo neutro (a agulha) a uma situação negativa traumática.  O psicólogo americano John Watson foi um pioneiro nos estudos do comportamento humano. Na década de 1919 ele fez um menino, o pequeno Albert, adquirir uma fobia de ratos brancos.

No entanto, como todas as fobias, a tripanofobia também pode ser obtida por meio de condicionamento vicariante, ou seja, ao observar o medo de outras pessoas, a pessoa em questão também passa a ter medo de determinada situação ou coisa.

Por fim, existem também alguns autores que afirmam que os humanos são biologicamente “programados” (ou inclinados) a desenvolver certos tipos de fobias, especialmente aquelas que permitiram que nossos ancestrais sobrevivessem.

De acordo com essas teorias, desenvolvemos certas fobias para mostrar uma resposta de luta ou fuga, o que nos salvará como espécie. Na verdade, o medo se esconderia em áreas muito primitivas do cérebro.

Tratamento da tripanofobia.

Mulher em Psicoterapia.

De acordo com Caballo (2002) e Pérez et al. (2010), os dois tratamentos por excelência (os mais eficazes) para tratar fobias específicas são:

Terapia de dessensibilização sistemática:

Nesse tratamento, o psicoterapeuta gradualmente expõe o paciente aos estímulos que geram o medo.

No caso do medo da agulha, as pessoas iniciam o tratamento pensando sobre as agulhas, injeções, vacinas e afins. Em seguida, verão imagens e vídeos etc. para que possam se aproximar, tocar ou mesmo receber injeções ou realizar exames com punção venosa (Como o exame de sangue). O objetivo final é deixar essa pessoa enfrentar a situação sem ansiedade.

Terapia cognitivo comportamental:

A terapia cognitivo comportamental, trabalhará com a reestruturação cognitiva, visando mudar o pensamento irracional e catastrófico dos pacientes sobre suas fobias. No caso do medo de agulhas, esses pensamentos podem ser, por exemplo, “Não suporto a dor de agulhas” ou “Vou me machucar”. Aqui, esses pensamentos precisarão ser substituídos por outros mais realistas e práticos.

A fobia de agulhas e outros medos relacionados.

A fobia de agulhas geralmente está relacionada a outros medos, como a fobia de sangue ou aicmofobia (medo de objetos pontiagudos). Em outras palavras, se você sofre de tripanofobia, esses outros medos também podem aparecer porque a associação ou generalização é fácil de acontecer.

No caso de fobia de sangue ou da aicmofobia, a psicoterapia utilizada será a mesma da tripanofobia, mas para essas fobias específicas.

Por outro lado, embora a terapia cognitivo comportamental e a terapia de dessensibilização sistemática tenham provado ser os tratamentos mais eficazes para esses tipos de fobias, existem outros métodos alternativos que também podem ajudar a combater esses medos, como psicoeducação e o  o mindfulness.

Se você sentir que a sua fobia está atrapalhando no seu dia a diaa melhor opção é buscar um psicólogo.

Nada na vida deve ser temido, somente compreendido.
-Marie Curie-

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