Tristeza ou depressão? Eis a questão!

Tristeza ou depressão? Eis a questão!

Podemos começar por uma importante diferença. A Depressão é uma doença, a tristeza não. A depressão é uma perturbação psicológica e a tristeza é um estado do humor.

A tristeza no entanto está presente na Depressão. Confuso? Pessoas com depressão não são apenas tristes.

tristeza é uma emoção natural que poder surgir em diversos momentos da nossa vida e na sequência de acontecimentos ou contextos desagradáveis e dolorosos.

Perdas resultantes da morte de um familiar, uma separação, desilusões ou frustrações como uma má nota em uma prova, uma promoção não conseguida, uma expectativa frustrada, um desentendimento com um amigo,  um objetivo não alcançado, ou mesmo um dia de chuva que não permite um determinado programa muito esperado, podem gerar tristeza. 

Cada um sente a tristeza à sua maneira e de forma mais ligeira ou mais intensa. Tem habitualmente uma origem conhecida. É no entanto frequente dizermos “Estou deprimido porque o Corinthians perdeu!” Estamos no entanto falando de tristeza e não de depressão.

tristeza tende a atenuar-se ao longo do tempo,  mais curto ou mais longo dependendo da intensidade e de cada um, a ter oscilações ao longo do dia ou das semanas tornando-se mais aguda, habitualmente, com pensamentos ou memórias da perda ou das situações que originaram a tristeza.

Na depressão a tristeza é persistente e duradoura, é profunda,  intensa e “sem objeto”, estende-se a todas as áreas da nossa vida e afeta de forma negativa o nosso funcionamento no dia-a-dia. A depressão desorganiza as áreas da saúde,  social, familiar e profissional. Mais ou menos severa, há sempre uma significativa redução do bem-estar e da capacidade para nos mobilizarmos e vivermos a vida.

Homem triste debruçado sobre a mesa.

tristeza não é constante, vai e volta, e não impede a capacidade de dar uma gargalhada quando nos contam uma piada. Na depressão nem o melhor comediante nos arranca um sorriso. A tristeza pode reduzir a nossa capacidade de apreciar a vida como habitualmente mas não nos impede de sentir prazer com as coisas, pessoas ou situações como anteriormente.

Na depressão perdemos a capacidade total de sentir os prazeres da nossa vida como um jantar de amigos, um passeio com o nosso filho, uma manhã na praia ou o som de uma música. Na depressão existe incapacidade de antecipar felicidade ou prazer.

Na tristeza podem surgir pensamentos negativos  e sentimentos de culpa face a um determinado acontecimento mas, não colocam em causa todo o nosso valor e autoestima nem nos levam a querer fazer mal a nós próprios ou a acabar com a nossa vida e,  vão-se desvanecendo pouco a pouco.

Na depressão os pensamentos negativos instalam-se como uma nuvem negra sobre a nossa cabeça e permanecem escurecendo as nossas lentes e comprometendo o nosso olhar sobre nós, os outros e o mundo.

Na tristeza,  necessidades básicas como o sono e a alimentação podem sofrer algumas oscilações mas conseguimos mesmo assim descansar e alimentar-nos convenientemente.

Na depressão o sono fica afetado por excesso ou por falta (hipersônia ou insônia) e também a alimentação sofre o impacto da perda do apetite ou ingestão compulsiva muitas vezes com alteração de peso. Também o interesse e a atividade sexual sofrem alterações.

Na tristeza evitamos contatos e algumas situações sociais mas, logo que a tristeza passa, retomamos relações e atividades sociais.

Na depressão as relações tornam-se mais distantes. Vamos ficando cada vez mais calados, pouco disponíveis a encontros e conversas com os outros e é frequente começarem a aparecer impactos no trabalho e na família.

Na depressão,  o cansaço, a perda de energia,  a diminuição da concentração e da capacidade de pensar,  a incapacidade de tomar decisões, provocam dificuldades no trabalho. Na tristeza mesmo que estas dificuldades surjam, são passageiras e vão-se atenuando à medida que a tristeza se desvanece.

Em resumo.

Homem em depressão sentado na estação de trem.

Depressão e tristeza estão bem longe uma da outra!

tristeza dói e é desagradável, mas é normal e vai passar. Existem momentos de cansaço, preocupação e desânimo que se desvanecem com a tristeza.

depressão não é normal, é mais dolorosa, provoca perturbações importantes na vida e no dia-a-dia, deixa a pessoa sem energia, nada consegue mudar o seu mau humor ou fazer passar a irritabilidade, as necessidades básicas não são satisfeitas, o que se mantém pelo menos duas semanas consecutivas e muitas vezes não se resolve sem intervenção de um profissional de saúde.

Precisamos estar tristes? Como entender até que ponto é normal sentir tristeza?

Homem sentado pensando.

A tristeza é uma emoção natural, adaptativa, que cumpre uma função e transmite necessidades.

As emoções dão informação direta sobre o nosso contato com os acontecimentos e traduzem o significado que estes tiveram para nós. É natural que a perda de algo significativo e fundamental para nós como um familiar ou amigo seja traduzido com tristeza e não alegria, por exemplo.

Se reprovamos em um exame é natural que fiquemos tristes. A tristeza expressa o que sentimos por ter reprovado e revela o que precisamos para processar adequadamente esta emoção e recuperar o nosso bem estar. Ao expressarmos tristeza comunicamos conosco e com os outros o que significou para nós esta situação em termos físicos, psicológicos e interpessoais. 

A expressão da nossa tristeza transmite a necessidade de ficarmos mais recatados, evitarmos eventos sociais agitados, por vezes chorar, e de recebermos afeto e apoio.

Se não permitirmos que a tristeza se expresse depois de uma perda com receio da dor não deixamos processar as emoções de forma adequada e podemos acabar por deprimir o que “dói mais que a dor que não dói”.

E quando devemos pedir ajuda?

Homens se apoiando.
  • Quando o sofrimento é grande e está comprometido o funcionamento do dia-a-dia em alguma ou todas as áreas da nossa vida (saúde, família, amigos  e trabalho);
  • Quando não somos capazes de gerir as nossas emoções, ansiedade, stress, pensamentos, e comportamentos de modo satisfatório precisamos de ajuda;
  • Quanto mais cedo começarmos um processo psicoterapêutico mais cedo diminuímos o sofrimento, recuperamos o bem estar e diminuímos o tempo de perturbação.
  • Quando a depressão se instala é importante pedir ajuda.

Na dúvida, procure um psicólogo cognitivo comportamental para não tornar crônica uma doença que tem cura, como a depressão.

Fonte: Oficina de psicologia

Imagens: https://unsplash.com

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