A depressão pelo desemprego.

A depressão pelo desemprego.

A depressão causada pelo desemprego está cada vez mais comum, principalmente nestes tempos de pandemia. No entanto, esse tipo de depressão ainda é uma realidade muito pouco diagnosticada e quase nunca tratada.

Muitos de nós sabemos o que é acordar todos os dias e não ter uma perspectiva de como será o nosso amanhã quando não encontramos emprego. Além disso, a própria procura de emprego costuma ser cansativa, pois o desespero acaba se combinando com a incerteza. É nesses momentos que precisamos colocar os pés no chão e dizer a nós mesmos: “Confie, tudo dará certo no final.”

Porém, às vezes os dias passam acabamos nos acostumando ao famoso “Nós te retornaremos ao final do processo seletivo”, ou aprendemos que falta de resposta muitas vezes também é uma resposta.

Jovens sem oportunidade por falta de experiência, pessoas mais velhas desempregadas pela idade ou mesmo a falta de oportunidades pela crise econômica… O desemprego é um grande problema para muitas pessoas e um foco de problemas de saúde mental.

Depressão pelo desemprego: sintomas e enfrentamento.

Trabalhar todos os dias e receber nosso salário é um apoio psicológico. Além de nos permitir sustentar nossa família, comer, pagar as contas e ter lazer, o trabalho é uma forma de aumentar a autoestima, sentir-se capaz, útil e satisfeito consigo mesmo. Portanto, como podemos imaginar, a falta de trabalho produzirá o resultado oposto.

Quando fomos questionados sobre que tipo de pessoa gostaríamos de ser quando crescer, o “desemprego” nunca passou por nossas mentes. Estar sem trabalho é quebra dos sonhos que construímos, de nossas futuras realizações.

Por exemplo, um estudo realizado na Universidade de Leipzig nos alertou para um fato muito importante: O desemprego é um fator óbvio que leva à deterioração da saúde mental. O risco de depressão é muito alto.

Além disso, como disse Erik Erikson, especialista em psicologia do desenvolvimento, o fato de podermos construir uma personalidade saudável e um estado emocional equilibrado está intimamente relacionado ao trabalho.

A depressão pelo desemprego tem sido estudada desde a Grande Depressão (Eisenberg e Lazarsfield 1938). Vejamos quais são os seus sintomas.

Como posso saber se tenho depressão pelo desemprego?

Quando uma pessoa começa ter sintomas de depressão devido ao desemprego, nem sempre ela toma a iniciativa de buscar ajuda profissional.  Geralmente, ela vai ao médico para tratar as comorbidades como seus problemas de sono, cansaço e dor de cabeça. É comum acharmos que essas emoções negativas são normais, afinal “Se eu não tenho emprego, como posso não ficar triste?”

Vamos conhecer as principais características da depressão pelo desemprego:

  • Sentimentos frequentes de medo, frustração, dor;
  • A principal diferença entre pessoas com depressão e pessoas sem depressão é a esperança e o senso de propósito. O primeiro já não tem certeza de que sua condição vai melhorar. Na verdade, ela acha que a situação vai piorar;
  • Sensação de inutilidade, com pensamentos de que você não serve para nada. Isso tem um grande impacto no ambiente familiar;
  • Sentimentos de raiva e injustiça. Não devemos imaginar uma pessoa desempregada e deprimida como uma pessoa triste. O mais comum é ver uma pessoa de mau humor, quase impaciente e com muita raiva;
  • Mudanças nos hábitos alimentares. As pessoas dormem mal e não conseguem descansar. Geralmente há uma diminuição da fome ou uma alimentação compulsiva;
  • Comportamentos de dependência (retorno ao habito de fumar (caso você tenha parado), alcoolismo, etc.);
  • Pensamentos suicidas.

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Como lidar com essa situação?

Uma coisa precisa ser esclarecida: se sofrermos de distúrbios emocionais, será difícil encontrar um emprego, ou mesmo começar a trabalhar. A depressão não tratada quase sempre piora e podemos atingir um estado verdadeiramente perigoso. Por isso, não podemos ignorar esse problema, até porque a incidência de suicídio de desempregados sobe toda vez que o desemprego aumenta. Mas o que devemos fazer nessas situações?

  • A prioridade é buscar ajuda profissional e depois obter apoio social. Ter a ajuda da família, amigos e pessoas com quem você conversa, é de vital importância.
  • Às vezes, compartilhar experiências com pessoas que estão na mesma situação ou que já passaram por isso, pode nos ajudar muito. O mais importante é você se livrar desses pensamentos de inutilidade e fracasso.
  • Sonho e propósito. Sua mente deve ter esse combustível todos os dias. É vital continuar a definir metas. Graças a eles, podemos encontrar forças para nos levantarmos diariamente.
  • Seguir uma rotina com horários nos ajudará a ter mais controle sobre o tempo.
  • Por último, um pouco de lazer, descanso e algumas horas de exercício também são muito importantes.

Controlar os pensamentos, administrar as emoções de maneira adequada e, o mais importante, ter um bom apoio da família e dos amigos são as melhores maneiras de superar essas situações. Em alguns casos, o mais recomendado é procurar a psicoterapia.

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