Medo do futuro: quando o amanhã rouba o nosso presente.
Medo do futuro: quando o amanhã rouba o nosso presente
Você já percebeu como é possível estar tudo bem hoje e, mesmo assim, sentir medo do que pode acontecer amanhã?
“E se eu perder meu emprego?”
“E se meu relacionamento terminar?”
“E se acontecer alguma coisa com alguém que eu amo?”
“E se minha situação financeira mudar?”
“E se o país mudar e minha vida for afetada?”
Esses pensamentos podem surgir mesmo quando nada de errado está acontecendo naquele momento. O futuro ainda não chegou, mas nossa mente consegue criar tantos cenários que o corpo começa a reagir como se eles já fossem realidade.
O coração acelera, a preocupação aumenta, o sono pode ser prejudicado e surge aquela sensação de que precisamos fazer alguma coisa imediatamente.
Quando pensar no futuro vira ansiedade.

Pensar no futuro faz parte da vida. Planejar, estabelecer objetivos, organizar as finanças, cuidar da saúde e pensar nas consequências das nossas escolhas são atitudes importantes.
O problema aparece quando a preocupação deixa de ajudar e passa a ocupar grande parte dos nossos pensamentos. Começamos a tentar prever tudo o que pode acontecer, como se fosse possível encontrar uma maneira de evitar qualquer surpresa ou dificuldade.
E isso pode acontecer também quando pensamos no futuro do país.
O medo diante das eleições.

Em 2026, o Brasil vive mais um período eleitoral. O primeiro turno das eleições gerais está marcado para 4 de outubro, e um eventual segundo turno ocorrerá em 25 de outubro. Serão escolhidos presidente, governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais.
É natural que um período como esse desperte expectativas, dúvidas e preocupações. A política pode estar relacionada a questões que fazem parte da nossa vida cotidiana: trabalho, economia, segurança, saúde, educação, direitos e tantas outras.
Por isso, não há nada de estranho em sentir preocupação com o futuro do país.
O problema pode surgir quando essa preocupação passa a ocupar a nossa mente o tempo inteiro.
A pessoa acorda e olha as notícias. Durante o trabalho, acompanha as redes sociais. Procura novas pesquisas, vídeos e opiniões. Discute política com familiares e amigos. Antes de dormir, verifica novamente as notícias.
E, mesmo depois de passar horas acompanhando tudo, continua com a sensação de que precisa saber mais.
Existe uma diferença importante entre estar informado e viver em estado de alerta.
A própria psicologia tem estudado o chamado estresse ou ansiedade relacionados à política, especialmente em períodos eleitorais e de grande incerteza. A American Psychological Association destaca que preocupações políticas podem se tornar uma fonte relevante de estresse, embora o envolvimento cívico também possa ter aspectos positivos.
Por isso, uma pergunta simples pode ajudar:
“Existe alguma coisa que eu possa fazer sobre isso agora?”
Se existe, podemos transformar a preocupação em ação.
Se não existe, talvez continuar pensando, acompanhando e imaginando diferentes cenários não aumente nosso controle sobre a situação — apenas aumente nosso desgaste.
Como a Terapia Cognitivo-Comportamental pode ajudar?

Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), aprendemos a observar nossos pensamentos antes de tratá-los como verdades.
Quando surge um pensamento como “vai dar tudo errado”, podemos parar e perguntar:
“Isso é um fato ou é um medo?”
“Eu realmente sei que isso vai acontecer ou estou imaginando?”
“Estou considerando outras possibilidades ou apenas o pior cenário?”
Essas perguntas ajudam a criar uma distância entre aquilo que pensamos e aquilo que realmente está acontecendo.
A terapia também pode ajudar a compreender por que determinadas situações despertam tanto medo, identificar padrões de preocupação e desenvolver maneiras mais equilibradas de lidar com aquilo que não podemos controlar.
A proposta não é pensar que “tudo vai dar certo”. Afinal, ninguém pode garantir isso.
É desenvolver uma forma mais realista de olhar para a incerteza:
“Eu não sei exatamente o que vai acontecer, mas posso confiar que encontrarei maneiras de lidar com aquilo que vier.”
O futuro ainda não chegou.

Talvez uma das maiores armadilhas da ansiedade seja tentar viver hoje os problemas de amanhã.
Enquanto imaginamos o que pode acontecer, deixamos de perceber aquilo que está acontecendo agora: uma conversa, um momento com quem amamos, uma conquista, um café tranquilo, um dia comum que talvez, no futuro, gostaríamos de ter aproveitado mais.
Não precisamos ignorar o futuro. Podemos planejar, nos preparar, votar, participar da sociedade e fazer escolhas responsáveis.
Mas também não precisamos viver antecipadamente aquilo que ainda não aconteceu.
Você não precisa saber exatamente o que vai acontecer amanhã. Precisa apenas lembrar que, quando amanhã chegar, você poderá lidar com ele.
O futuro sempre terá alguma incerteza. E talvez a tranquilidade não esteja em descobrir como controlar tudo o que está por vir, mas em perceber que não precisamos ter todas as respostas hoje.
Até lá, existe uma vida acontecendo.
E ela está acontecendo agora.
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